Política de apoio a jovens doutores projeta cientista piauiense no cenário de inovação da China

Informativo

Selecionada para programa de cooperação internacional, Ester Miranda colhe frutos de política pública de fixação de talentos que transformou o diagnóstico de doenças raras no estado.

A trajetória da biomédica Ester Miranda, doutora em Biotecnologia, desenha um arco que une o laboratório público da Universidade Federal do Piauí (UFPI) aos centros chineses de alta tecnologia. Selecionada para o concorrido China-Latin America Youth Entrepreneurship and Innovation Program, a pesquisadora piauiense será uma das duas únicas representantes brasileiras na comitiva e deve embarcar, ainda neste mês de janeiro, para uma imersão tecnológica que reunirá apenas 15 jovens cientistas de toda a América Latina.

O feito, embora individual, é fruto de uma engrenagem institucional de longo prazo. A trajetória de Ester é indissociável do apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Programa de Fixação de Jovens Doutores.

Pesquisadora Ester Miranda. Foto: Maria Catiany.

O edital de Fixação de Jovens Doutores permitiu que a cientista aplicasse seu conhecimento em genética e saúde pública diretamente no Laboratório de Imunogenética e Biologia Molecular (LIB/UFPI). “A Fapepi tem um papel central na minha ida para a China”, afirma Ester. “A seleção para este programa exigia doutorado, vasta experiência e aprovação de projetos. Meus projetos aprovados em parceria com a fundação, como o Integra Raras, foram critérios decisivos”, afirma.

O Integra Raras, viabilizado pelo edital Tecnova 3, é uma plataforma digital que utiliza inteligência artificial para o rastreio inteligente de doenças raras. É este modelo de ciência aplicada que Ester apresentará a investidores chineses: uma solução tecnológica nascida no Nordeste brasileiro com potencial de escala global.

Ester Miranda durante atividades científicas no LIB/UFPI. Fotos: Maria Catiany.

Da Bancada ao Leito do Paciente

O impacto do trabalho realizado no LIB/UFPI, sob coordenação da professora Semiramis do Monte, vai além dos artigos científicos. Em maio de 2025, resultados apresentados à diretoria da Fapepi mostraram que a pesquisa de Ester mudou o desfecho clínico de famílias piauienses.

A implementação do rastreio de doenças raras permitiu diagnósticos bioquímicos rápidos para condições como a porfiria. “Tivemos o caso de um paciente que estava completamente paralisado e, graças ao diagnóstico e tratamento em tempo hábil viabilizados pelo projeto, hoje ele está caminhando”, relatou Semiramis do Monte.

Semiramis do Monte e Ester Miranda durante visita à Fapepi em maio de 2025. Foto: Cristiane Araújo.

Atualmente, o LIB é referência regional, realizando o diagnóstico de mais de 30 tipos de doenças raras e oferecendo suporte técnico que antes era inexistente no estado. O sucesso da iniciativa já atrai parcerias público-privadas, consolidando uma estrutura de atendimento comparável ao sistema de transplantes do estado, também apoiado pelo laboratório.

A recepção das pesquisadoras pela cúpula da Fapepi, representada pelo presidente João Xavier e pelo diretor técnico-científico Pedro Soares, reforçou a visão estratégica da fundação. Para Xavier, o apoio institucional é a ponte que transforma ciência em impacto social direto.

A ida de Ester à China representa um novo degrau: a diplomacia científica. Organizado pelo China-LAC Technology Transfer Center, o tour de inovação foca na formação de lideranças capazes de dialogar com o setor produtivo.

Foto: Maria Catiany.

A cientista piauiense não levará apenas seu currículo, mas a prova que, com fomento adequado, o Piauí pode exportar tecnologia de ponta e importar parcerias que acelerem o desenvolvimento da saúde pública nacional.

Na China, a pesquisadora terá a oportunidade de apresentar o modelo de inovação piauiense a investidores e instituições internacionais. O objetivo é transformar a experiência científica em soluções de mercado e políticas públicas escaláveis.

fonte: Cristiane Araújo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *